Alta Gracia é um pequeno vilarejo distante apenas 36 quilômetros da cidade de Córdoba, capital da província de mesmo nome. Localizado no Vale das Serras Chicas, o lugarejo é um dos centros turísticos mais importantes desta região argentina não só por abrigar umas das mais importantes estâncias jesuíticas – ao redor da qual a cidade se desenvolveu – mas também por ser a cidade onde Che Guevara cresceu. Justamente por isso, por causa dele, decidi conhecê-la. Por ter um clima seco e agradável durante todo o ano, Alta Gracia era um lugar recomendado por médicos para pacientes com problemas respiratórios. Por esse motivo Ernesto Guevara Lynch, sua esposa Celia e o pequeno e asmático Ernestito, com apenas 4 anos de idade, vieram morar aqui no ano de 1932. Cheguei na rodoviária às 2h00 da tarde (nesse momento eu era a única passageira do ônibus) e parecia que estava numa cidade fantasma. Não havia nada aberto e ninguém por perto – hora sagrada da siesta. Fiquei uns minutos parada na calçada sem saber aonde ir, mas a cidade é pequena e decidi seguir andando. Logo em seguida vi uma placa indicando o caminho para Villa Nydia – a casa onde o Che viveu dos 4 aos 17 anos e que, desde 2001, abriga o Museo del Che.
Estava super emocionada só por estar andando naquelas ladeiras. Quando cheguei em frente a casa dele quase não me contive mas segurei a onda. Uma casa boa, simples, bem construída com uma escultura de um Che menino sentado na mureta da varanda. Fiquei horas lá dentro observando, lendo, absorvendo, aprendendo tudo o que podia e tentando imaginar como a vida acontecia dentro daquela casa. O quarto, a sala, a escrivaninha, os livros preferidos, as fotos, os bilhetes, os mapas, os diários e a motocicleta – a famosa “poderosa” com a qual ele percorreu a América do Sul. Foi muita emoção para mim, apaixonada que sou por ele e por seus ideais. Antes de tudo, do idealista, do médico e do revolucionário, Che foi um viajante. E foi através desse olhar onde toda essa história começou: a luta por uma América Latina livre, unida e única. Sem jamais perder a ternura. Info: No verão o museu fica aberto todos os dias de 9h00 às 20h00. No inverno os horários mudam: às segundas abre de 14h00 às 19h00 e no resto da semana de 9h00 às 19h00. Entrada: 5 pesos (nas quartas-feiras, entrada grátis).

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