28.2.11

Mantendo a Memória Viva

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Caminhando pelas ruas do centro de Córdoba com o intuito de visitar os pontos turísticos tradicionais como o Bairro Jesuítico, a Catedral, os museus e a Praça San Martin acabei me deparando com uma placa colorida no chão, na entrada de um prédio antigo, que me chamou a atenção. Ali estava escrito que naquele prédio funcionava um centro clandestino de detenção na época da ditadura argentina (1976/1983) onde centenas de pessoas foram aprisionadas, torturadas e mortas pelos agentes do governo militar. Sem vacilar, entrei e fui conhecer o lugar. Celas minúsculas e sem ventilação, porões úmidos e janelas vedadas. A triste e desesperadora realidade daqueles que pereceram nos anos de chumbo da história argentina.
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Vidros espessos protegem as paredes descascadas e ainda encravadas com nomes, corações e palavras de luta e esperança. Salas com objetos pessoais dos detidos – coisas simples como bilhetes, discos, roupas e livros nos remetem à violência do que significa ser privado do básico, do cotidiano, da vida. Ideais sepultados pela truculência e brutalidade de um regime que jamais deveria ter existido e que, no entanto, jamais poderá ser esquecido. Essa é a luta dessa entidade – Comisión y Archivo Provincial de La Memoria – que mantém o cárcere intacto e a memória viva daqueles que gritaram por justiça e liberdade. Além disso a Comissão fomenta o estudo, investigação e difusão da luta contra a impunidade, preserva e torna públicos informações, testemunhos e documentos sobre a repressão ilegal e terrorismo do estado
Uma menininha de uns 5 anos de idade estava lá com sua mãe e insistentemente  perguntava: porque es tan feo aqui? A mulher, contendo as lágrimas, não conseguia responder. Foi então que a criança olhou para mim e repetiu: por que es tan feo aqui? Também não consegui dizer nada.
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18.2.11

Alta Gracia - Casa de Che Guevara




Alta Gracia é um pequeno vilarejo distante apenas 36 quilômetros da cidade de Córdoba, capital da província de mesmo nome. Localizado no Vale das Serras Chicas, o lugarejo é um dos centros turísticos mais importantes desta região argentina não só por abrigar umas das mais importantes estâncias jesuíticas – ao redor da qual a cidade se desenvolveu – mas também por ser a cidade onde Che Guevara cresceu. Justamente por isso, por causa dele, decidi conhecê-la. Por ter um clima seco e agradável durante todo o ano, Alta Gracia era um lugar recomendado por médicos para pacientes com problemas respiratórios. Por esse motivo Ernesto Guevara Lynch, sua esposa Celia e o pequeno e asmático Ernestito, com apenas 4 anos de idade, vieram morar aqui no ano de 1932. Cheguei na rodoviária às 2h00 da tarde (nesse momento eu era a única passageira do ônibus) e parecia que estava numa cidade fantasma. Não havia nada aberto e ninguém por perto – hora sagrada da siesta. Fiquei uns minutos parada na calçada sem saber aonde ir, mas a cidade é pequena e decidi seguir andando. Logo em seguida vi uma placa indicando o caminho para Villa Nydia – a casa onde o Che viveu dos 4 aos 17 anos e que, desde 2001, abriga o Museo del Che.

Estava super emocionada só por estar andando naquelas ladeiras. Quando cheguei em frente a casa dele quase não me contive mas segurei a onda. Uma casa boa, simples, bem construída com uma escultura de um Che menino sentado na mureta da varanda. Fiquei horas lá dentro observando, lendo, absorvendo, aprendendo tudo o que podia e tentando imaginar como a vida acontecia dentro daquela casa. O quarto, a sala, a escrivaninha, os livros preferidos, as fotos, os bilhetes, os mapas, os diários e a motocicleta – a famosa “poderosa” com a qual ele percorreu a América do Sul. Foi muita emoção para mim, apaixonada que sou por ele e por seus ideais. Antes de tudo, do idealista, do médico e do revolucionário, Che foi um viajante. E foi através desse olhar onde toda essa história começou: a luta por uma América Latina livre, unida e única.  Sem jamais perder a ternura. Info: No verão o museu fica aberto todos os dias de 9h00 às 20h00. No inverno os horários mudam: às segundas abre de 14h00 às 19h00 e no resto da semana de 9h00 às 19h00. Entrada: 5 pesos (nas quartas-feiras, entrada grátis).











14.2.11

Mar del Plata

Centro de "Mardel"
Colônia de leões marinhos
Alugamos um carro - o mais barato possível - para ir de Buenos Aires a Mar del Plata. Nenhuma de nós duas conhecia essa região da Argentina e resolvemos nos aventurar mais uma vez. São 410km de distância entre as duas cidades (o que para nós parece quase nada) mas decidimos fazer o caminho mais longo, pelo litoral e parando nas pequenas cidades ao longo do caminho até "Mardel". Já nos primeiros quilômetros rodados, saindo da capital, percebemos que escolhemos o fim de semana errado para tal passeio. Era o último fim de semana de férias dos portenhos e as estradas estavam lotadas. Seguimos devagar mas pelo menos o movimento não era daqueles tão absurdos assim e não havia maiores congestionamentos. Nossa primeira parada foi em San Clemente de Tuyu, cidade pequena e com quase nada de atraente. Depois Piñamar, balneário super concorrido, lotado, cheio de gente e carros por todos os lados. As praias não são nada bonitas por ali, um vento forte sopra todo o tempo e as águas são geladas. Os argentinos parecem não se importar com isso e nem mesmo com as dezenas de concessionárias de carros que expõem seus últimos modelos nas calçadas e canteiros da avenida principal. Ficamos pouco tempo no lugar, nos assustamos com o que vimos e seguimos viagem. Depois paramos em Villa Gesell e Mar de las Pampas; esses, sim, lugares pequenos e simpáticos onde se é possível estacionar o carro, caminhar pelas ruas com calma, descansar ou tomar uma Quilmes com tranquilidade. Já anoitecendo seguimos finalmente para Mar del Plata. A cidade é grande e fica "maior" ainda na temporada de verão. Os congestionamentos acontecem mesmo à noite e mal dá para andar na rua. Tudo lotado: restaurantes, cafés, confeitarias. Na manhã seguinte tentamos ir à praia mas foi impossível: gente por todos os lados e carros, muitos carros. Aqui não é faz tanto calor, há sempre uma brisa fria que vem do mar e esfria à noite, mesmo no alto verão. Resolvemos passear, longe do centro e do burburinho urbano. Visitamos a colônia de leões marinhos e fizemos uns passeios nos arredores da cidade. À noite: bingo! Adoro um binguinho mas Caterine odeia. Ela foi gentil e me acompanhou... A conclusão que chegamos é que Mar del Plata deve ser ótima fora de temporada. Para quem gosta de cassinos, há um monte deles. Hotéis e restaurantes, centenas deles, para todos os gostos e bolsos. E um mar de carros, mar de barracas, mar de gente, Mar del Plata.



12.2.11

O Grand Splendid - El Ateneo




Para quem gosta de livros e arquitetura, visitar a livraria El Ateneo  Grand Splendid, na Avenida Santa Fé 1860 em Buenos Aires, é programa obrigatório.
Considerada pelo jornal britânico “The Guardian” como a segunda livraria mais bonita do mundo, El Ateneo mantém todas as características do Grand Splendid , Cine-teatro inaugurado em 1919 pelo imigrante austríaco Max Glucksmann e que foi testemunha de apresentações de ícones do tango como Roberto Firpo, Ignacio Corsini e o mito Carlos Gardel. Entrando no lobby do velho teatro parece que estamos em mais uma daquelas grandes livrarias, mas é só seguir adiante e se maravilhar com o lugar. As imensas cortinas vermelhas nos dão a impressão que o espetáculo já vai começar; onde antes era a platéia, vemos fileiras intermináveis de publicações do mundo inteiro.  As galerias ainda estão lá, mas agora repletas de livros. No antigo palco, mesas foram distribuídas e um simpático café funciona ali.
El Ateneo abriu suas portas em 2000 e, desde então, já foi visitada por mais de 12 milhões de pessoas. Por dia recebe uma média de 3000 visitantes. Mesmo se na sua próxima visita à capital argentina você não estiver interessado em comprar livros, vá ao Grand Splendid e tenho certeza que – como eu – você vai discordar do “The Guardian” e eleger o El Ateneo a livraria mais bonita do mundo.
Aberta todos os dias. Segunda à quinta de 9h00 às 22h00. Sextas e sábados de 9h00 às 24h00. Domingo de 12h00 às 22h00.